Minhas Séries Favoritas de 2017

Seguindo com o ritual de listas sobre o ano que passou, após falar sobre os álbuns que mais me agradaram em 2017, é hora de comentar sobre as minhas séries prediletas deste período. Ao contrário de filmes, que eu tive uma dificuldade gigantesca para escolher quais seriam as obras que entrariam no meu Top 10, as produções televisivas que eu realmente vi e gostei muito são poucas, então várias que são populares ou renomadas, como Game of Thrones e Ozark, respectivamente, não têm espaço aqui.

Antes disso, vale ressaltar duas séries que merecem menção honrosa: Dark e Samurai Gourmet. A primeira é mais popular e já tem caído no gosto de muita gente, já que foi criada a comparação errônea entra ela e Stranger Things. A produção é alemã e conta a história de três famílias que estão entrelaçadas há muitos anos, além de mistérios que envolvem tanto estes familiares quanto a própria cidade que eles vivem. Ela vale a pena pelas qualidades técnicas, seja a trilha sonora envolvente ou a fotografia sombria. Apesar disso, há alguns furos de roteiro que a segunda temporada precisa resolver.

Samurai Gourmet é uma produção japonesa que ressalta os aspectos culturais da Terra do Sol Nascente conforme retrata os dias de um recém aposentado que precisa se adaptar ao novo estilo de vida. Com isso, o telespectador acompanha os deleites do cotidiano do protagonista através dos prazeres da culinária local, suas tradições e passeios por locais do país. Enquanto isso, o subtexto trabalha com questões filosóficas e morais em contraste dos dias atuais para a época do Japão feudal. A atuação de Naoto Takenaka é um show a parte, já que ele consegue dar seriedade e humor com extrema naturalidade.

Ambas as séries estão disponíveis no catálogo brasileiro da Netflix.

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Uma das excelentes cenas de Legion, protagonizada por Dan Stevens

Legion

Esta é de longe a série baseada em super-heróis mais exótica da atualidade. Enquanto as outras produções têm o pé no chão para contar as histórias de seus protagonistas, Legion abraça uma narrativa totalmente surreal para demonstrar tanto a maluquice que existe na cabeça do mutante David Haller (Dan Stevens) quanto para apresentar os poderes dos outros personagens.

Ao ver o primeiro episódio é normal ficar se perguntando o que foi aquilo que assistiu, mas vale a pena dar chance à série criada pelo Noah Hawley, um dos principais nomes por trás de Bones e Fargo. São oito episódios conduzidos por ótimas atuações, principalmente de Dan Stevens e Aubrey Plaza — que está mais maluca do que nunca. O último capítulo não é tão impactante quanto alguns outros, principalmente quando temos noção completa do que é o vilão, mas dá um bom gancho do que esperar para o segundo ano da série.

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Dev e Arnold com problemas para transitar pela Itália

Master of None — Segunda Temporada

Minha missão de vida é espalhar a palavra de Master of None pelo mundo… ok, isso foi exagerado, mas eu realmente amo como esta série consegue parecer tão próxima à vida real. Mesmo que tenha elementos de comédia, ela não força a barra para soar engraçada, principalmente ao não usar o antiquado recurso da claque — aquelas risadas forçadas que indicam uma piada. Além disso, o humor não é ofensivo, afinal um dos elementos básicos dela é não fazer piada sobre outrem.

Enquanto acompanhamos a vida de Dev (Aziz Ansari), que busca se estabelecer como ator, vemos como é o cotidiano dele com amigos, família e interesses amorosos. Assim, os episódios abordam temas específicos que são comuns para qualquer tipo de pessoa. Por exemplo, terceira idade, religião, primeiro encontro, casamento, paternidade e muitos outros assuntos são holofotes da trama.

Master of None tem figurado entre as premiações por causa de alguns episódios geniais que têm em suas duas temporadas. Meus episódios favoritos são “Nashville” por ter um tom semelhante aos filmes do Woody Allen; “New York, I Love You” ao transformar os personagens principais em coadjuvantes e fazer com que a cidade seja a real protagonista de uma história sobre pessoas comuns em um dia normal da vida delas; e “Thanksgiving”, o mais bem visto atualmente por público e crítica, já que ele retrata com leveza e respeito o difícil processo de aceitação de uma família para a orientação sexual da caçula.

São 20 episódios, com média de 30 minutos, divididos em duas temporadas que valem todo o tempo gasto.

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Sim, o Rick professor desse episódio é uma homenagem ao Alan Rickman, intérprete do Severo Snape

Rick and Morty — Terceira Temporada

Eu havia me rendido a Rick and Morty quando as duas primeiras temporadas da animação foram colocadas na Netflix, mas a partir do terceiro ano do programa realmente criei gosto para acompanhá-la conforme os episódios eram transmitidos pelo Adult Swin. Mesmo que não sejam tão consistentes, os 10 capítulos de 2017 mantém a genialidade de antes, algo que eu comentei no texto “O que faz de Rick and Morty um sucesso?” para o site Minha Série.

Pode parecer exagero para alguns, principalmente pelo hype gigantesco e inesperado que existe na criação de Dan Harmon e Justin Roiland, mas Rick and Morty pode ser a melhor série animada de todos os tempos. Ela não tem medo de abordar temas complexos, ser ácida, trazer reviravoltas inesperadas e manter-se cativante. Mas para fazê-la dar tão certo, é necessário muito tempo de preparo para cada temporada, assim deixando o ano quatro apenas para o final de 2019.

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Mr. Robot usando a linguagem virtual com precisão para demonstrar sentimentos

Mr. Robot — Terceira Temporada

Mr. Robot é desde seu primeiro ano a série mais subversiva da TV na atualidade. Ela é a melhor forma de dar vida a uma história no estilo Clube da Luta para os moldes dos dias de hoje. Tecnologia, economia, problemas sociais e política misturam-se gradativamente numa trama que não para de te surpreender por situações inusitadas. Todas as temporadas têm um capítulo que te deixa de boca aberta por causa das ideias geniais que Sam Esmail escreve para a vida de Elliot (Rami Malek).

Além de um roteiro que trabalha muito bem temas complexos da nossa sociedade, Mr. Robot ainda brilha por causa de suas categorias técnicas. Atuações, direção, fotografia e trilha sonora a tornam fascinante do começo ao fim. Ainda há um aspecto de referência à cultura pop que soa muito natural, assim não parecendo apenas fan service para agradar o público.

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A fotografia de Handmaid’s Tale é um espetáculo à parte

The Handmaid’s Tale — Primeira Temporada

Dificilmente alguém esperava que uma produção da plataforma de streaming Hulu seria a melhor de todas em 2017. Baseada no livro homônimo de Margaret Atwood publicado na década de 80, The Handmaid’s Tale chega à televisão em uma época mais do que propícia para os temas que a história aborda. Mostrando um futuro distópico no qual a humanidade tem dificuldade em gerar novos bebês, um golpe de estado acaba criando um sistema que aprisiona mulheres capazes de engravidar e assim as escravizando perante uma visão retrograda.

Por mais que pareça absurdo tal abordagem, a série toca em vários pontos que soam extremamente reais para as mulheres, assim criando um excelente paralelo entre ficção e vida real. Além desse subtexto coerente ao que se propõe, o roteiro ainda consegue trabalhar muito bem os personagens ao usar bons recursos de flashback que contextualizam aquele universo e as motivações de cada um.

Além dos primores do texto da série, ainda há qualidades gritantes para uma produção televisiva, seja nas excelentes atuações do elenco, principalmente da Elisabeth Moss com suas expressões que dizem muito mais do que palavras, ou nos recursos visuais. A fotografia é estonteante em vários momentos, ainda mais quando os uniformes vermelhos dão mais cor à cena ou a precisão na forma de usar câmera lenta, assim não a tratando como recurso barato e causando o impacto necessário.

Não é por acaso que The Handmaid’s Tale tem sido tão elogiada e garantido vários prêmios, algo que deve se repetir no Globo de Ouro 2018 e nas próximas celebrações da indústria se a série continuar estonteante como foi em sua primeira temporada.

Jornalista que se perde em devaneios sobre a vida e cultura pop

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