Meus Filmes Favoritos de 2017

Finalizando o trio de listas de produções culturais que mais me agradaram em 2017, chegou a hora de falar dos filmes, o estilo de arte que eu sou claramente aficionado. Ao contrário de álbuns musicais e séries televisivas, eu consumi muitos longas ao decorrer do ano, o que dificulta fazer uma lista que seja muito precisa, já que é inevitável deixar fora do Top 10 obras que gostei bastante. Por isso, já deixo claro que ainda não vi Shape of Water, Darkest Hour, Call me by Your Name, Lady Bird, Project Philadelfia eThe Disaster Artist.

Além disso, os escolhidos são produções que podem ter sido lançadas nos EUA em 2016, mas vieram para o Brasil no ano seguinte. Também há longa que só saiu no exterior, mas não parece ter chance alguma de vir para terras tupiniquins. Por isso, vamos às menções honrosas que quase entraram na lista e pequenas justificativas para não figurarem entre as dez melhores.

  • “Baby Driver” — Trilha sonora e, como sempre esperado em qualquer direção do Edgar Wright, edição excelentes, mas não consigo simpatizar tanto com a história, por mais que a narrativa seja coerente;
  • “Moonlight” — Eu não aprecio muito o terceiro ato da história, já que é o período da trama que dá menos profundidade à vida do protagonista. Entretanto, o longa do Barry Jenkins é um primor em questões técnicas que enfatizam as sensações do personagem principal, além de ter atuações impecáveis de Mahershala Ali e Naomie Harris. Vale ressaltar que o orçamento do longa foi de apenas 5 milhões de reais.
  • “Stronger” — Não costumo ser fã de histórias biográficas, tanto que a trama sobre a sobrevivência de Jeff Bauman ao atentado da Maratona de Boston não é o que me encanta nessa obra, mas as atuações de Jake Gyllenhaal e Tatiana Maslany são incríveis o suficiente para eu adorá-lo. Os dois possuem um diálogo fervoroso dentro do carro que é brilhante e aflitivo.
  • “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” — Finalmente eu vi o Peter Parker que eu tanto amo nas telonas. Inteligente, deslocado, jovem e divertido como nenhum outro havia sido. Uma ótima versão do Abutre, vilão pouco respeitável nas HQs e com os melhores fan services do Cabeça-de-Teia nas telonas. O mais clássico deles quase rendeu lágrimas no cinema.
  • “Jim & Andy: The Great Beyond” — O documentário da Netflix sobre os bastidores de “O Mundo de Andy” ressalta o brilhantismo de Jim Carrey ao interpretar Andy Kaufman, enquanto conseguimos entender melhor o artista de hoje, que tem chamado atenção pelo seu niilismo em entrevistas inesperadas.
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Cena de Rooney Mara descontando toda sua dor em uma torta

Nenhum dos filmes que eu vi em 2017 é tão diferente quanto “A Ghost Story”. O longa de David Lowery é intimista desde seu estilo visual, já que a tela utiliza o padrão 3x4, algo totalmente incomum do que estamos acostumados hoje em dia com o widescreen, além de como decide contar uma trama sobre perda, legado e aceitação dos fatos da vida.

Mesmo que Casey Affleck seja uma figura que mereça o ódio de muita gente, a performance dele é bastante convincente, tanto como marido quanto como fantasma que ainda não está preparado para se desvincular com sua vida passada. Apesar disso, quem chama atenção de verdade é Rooney Mara, que consegue mostrar uma dor visceral ao colocar todo o seu foco em uma torta numa cena de cinco minutos dela a comendo.

A narrativa de David Lowery é bastante lenta e assim precisa de um telespectador que esteja realmente entregue àquela história, mas o longa traz emoção conforme você entende mais o drama do casal principal, algo que só consegui sentir na segunda vez que o vi. Além disso, há um monólogo, com tons explicativos, no começo do terceiro ato que aprofunda as questões filosóficas que o roteiro trabalhou ao usar um silêncio ensurdecedor, então vale não desistir tão cedo dele.

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A fotografia de Roger Deakins em Blade Runner 2049 é impressionante

Eu nunca fui fã do “Blade Runner” original, criado por Ridley Scott, e que ganhou status cult com o passar do tempo, já que nas bilheterias o longa foi um enorme fracasso, mas claramente o filme de 1982 é incrível por vários fatores, tanto que se tornou base de inspiração para outras produções que se passam no futuro.

Além de uma trama que entrega questões filosóficas vitais para aquele universo, o excelente diretor Denis Villeneuve consegue criar uma atmosfera tensa conforme a história avança e coloca o protagonista K, muito bem interpretado por Ryan Gosling, em questionamentos sobre ele mesmo. A narrativa é bastante lenta, algo que pode incomodar muita gente, para suas quase 3 horas de duração, mas é o ritmo necessário para tantos assuntos que são cabíveis nesta Los Angeles futurista.

Enquanto eu estava no cinema vendo “Blade Runner 2049”, nada me fascinava mais do que a fotografia do Roger Deakins. Há vários momentos no longa que é impossível não se encantar com toda a beleza no que toma conta da telona. Neste quesito, não há como questionar que o filme precisa concorrer nas premiações e talvez ganhar.

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Daniel Kaluuya tem nos seus olhares o grande diferencial de sua atuação

O primeiro filme dirigido pelo comediante Jordan Peele é uma das maiores surpresas do ano. Ele consegue criar uma história básica de suspense, mas dá real significado aquilo ao transformar a trama numa excelente alegoria de racismo. Para desfrutar com mais profundidade “Corra!”, é preciso entender a analogia que permeia diálogos, olhares e situações dos brancos para com os negros.

O elenco é um dos pontos fortes da produção, já que consegue entregar atuações repletas de seriedade com um tom sombrio na medida. Mas quem brilha mesmo é o protagonista interpretado pelo Daniel Kaluuya. Ele consegue entregar intensidade quando seu personagem encontra-se em situações de tortura, principalmente pela forma que demonstra seus olhares de sofrimento ou desconforto.

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“City of stars are you shining just for me”

De todos os nomes desta lista, este é um dos que eu mais vou carregar na memória. “La La Land” não faz o estilo de filme que eu assisto normalmente no cinema, mas este eu vi duas vezes na telona e me imagino o revendo várias vezes no decorrer da minha vida.

Além de um roteiro que foge do final esperado para o comum “Boy meets Girl”, a trajetória para seu desfecho marcante é extremamente proveitosa. Desde a cena de abertura no trânsito de Los Angeles, seguida pela festa que a Mia (Emma Stone) não deseja ir, os conflitos de Sebastian (Ryan Gosling) para a situação do jazz nos dias de hoje, a cena da audição referenciando à tia sonhadora e o brilhante epilogo. Tudo memorável.

A trilha sonora do longa mantém-se presente no meu Spotify e deve continuar sendo tocada por muito tempo, já que elas trazem lembranças do quanto eu gosto das cenas que elas são referentes. Mesmo que não seja o estilo clássico de musical, o filme de Damien Chazelle é o responsável por eu perder o preconceito com o gênero e assim ter mais curiosidade por novas produções deste estilo.

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Logan trouxe o Wolverine que eu sempre quis ver no cinema

Demorou muitos anos para que Hugh Jackman recebesse um roteiro no qual poderia dar vida ao Wolverine que os fãs dos X-Men sempre quiseram ver nas telonas. Felizmente, o longa conseguiu entregar muito mais do que se esperava para um drama, com tons de road movie e western, envolvendo o mutante canadense.

Os fan services do terceiro ato são de deixar os olhos cheios de lágrimas, mesmo que este trecho da história seja o menos bem desenvolvido, mostrando as dificuldades do diretor James Mangold em conseguir novamente finalizar uma história do carcaju.

Além de vermos Hugh Jackman dando adeus ao Logan, ainda temos a melhor atuação do excelente Patrick Stewart para o Professor Xavier. Vê-lo nesta situação de enorme fraqueza e descontrole dos poderes, ao mesmo tempo que ele ainda demonstra tanta esperança de dias melhores, fez com que eu me emocionasse em todas as cenas dele.

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Manchester by the Sea é pura tristeza mesmo sem forçar a barra

Eu odeio filmes que possuem uma narrativa melodramática que simplesmente querem me deixar triste com a história que está sendo contada. “Manchester by the Sea” não se encaixa neste aspecto, mesmo que seja digno de lágrimas. Quando o vi, fui acompanhado de uma amiga que é mais emotiva do que eu. No momento mais trágico da trama, ela estava chorando copiosamente e fazia jus ao que estava na telona. Enquanto isso, sentia que também deveria estar daquele jeito porque era desolador o que projetava-se na telona.

Parte da efetividade em fazê-lo triste e prazeroso ao mesmo tempo está na direção de Kenneth Lonergan, que conseguiu extrair o melhor das atuações de Casey Affleck, Michelle Williams e do novato Lucas Hedges.

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Achou que não ia ter Mãe?! Achou errado, otário!

Este é o filme mais polarizador de toda a lista, já que ele encaixa-se perfeitamente no “ame ou odeie”. Darren Aronofsky levou à telona sua visão sobre a humanidade com base nos textos bíblicos, mesmo deixando este contexto apenas como alegoria, assim dando ao telespectador a função de compreender o que era aquilo e assim tirar suas próprias conclusões para situações bastante inusitadas.

Eu fiquei vários dias pensando em todas as analogias que estavam presentes no roteiro do Aronofsky e como aquilo encaixava-se na visão dele, além de buscar outras interpretações na visão das pessoas ao meu redor que haviam o assistido. Todo este exercício de compreender os símbolos usados pelo diretor é o que mais me faz gostar de “Mãe!”, afinal é muito fácil encontrar produções vazias que não instigam o telespectador a debater aquilo.

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Eu nunca imaginei o quão bonito seria ver macacos andando a cavalo

O encerramento da trilogia com Andy Serkis no papel do macaco Ceasar é um dos melhores blockbusters de 2017. Com uma trama que mantém vivo os conceitos básicos da franquia, o diretor Matt Reeves mantém a qualidade do antecessor e torna o desfecho entre humanos e símios um espetáculo visual sem perder o tom do drama.

Além das atuações impecáveis por captura de movimento, “Planeta dos Macacos: A Guerra” é estonteante ao recriar com tanta perfeição os primatas. Em nenhum momento você desconfia de que eles sejam animais de verdade, assim justificando todo o tempo necessário na pós-produção dos efeitos especiais para torná-los praticamente perfeitos.

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Enquanto Thanos não chega, eles procuram pistas de um crime em Wind River

Taylor Sheridan é o responsável pelo roteiro de “Sicário” e “A Qualquer Custo”, dois longas que já haviam chamado atenção de muita gente. Em “Wind River”, ele é tanto o responsável pelo texto quanto pela direção, a segunda da carreira. Ele entende o clima desolador que precisa passar ao usar o vilarejo repleto de neve ao redor e com um mistério que envolve a morte de uma garota local.

Além disso, ele consegue tirar de Jeremy Renner a melhor atuação do ator, superando a que o tornou famoso em “Guerra ao Terror”. O personagem é cativante, respeitoso e não soa fora de tom. Os diálogos dele ao lado de Elizabeth Olsen e, principalmente, Gil Birmingham são de deixar qualquer um desolado.

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Your Name é a melhor animação japonesa que eu vi em toda minha vida

Your Name (Kimi no na wa)

Um dos meus grandes arrependimentos foi não ter visto este longa no cinema. A animação de “Your Name” é estupenda. Não são só os personagens ou os cenários, cada elemento básico de cena tem mais vida pela qualidade que eles dão aos movimentos. Um simples traçado da professora usando o quadro negro impressiona. A forma que a chuva cai parece diferente de qualquer outro tipo de desenho.

Além disso, o roteiro de Makoto Shinkai faz com que uma história deveras simples torne-se muito emocionante. Ele pega a ideia de pessoas de gêneros diferentes que trocam de corpos, um clichê muito comum, e transforma em algo que o telespectador se importa com os personagens e sinta-se surpreso com os caminhos que dá à trama. Há seriedade, tristeza, humor e reflexão, mas sempre na medida certa.

“Your Name” está no catálogo brasileiro da Netflix e você deveria assisti-lo o quanto antes.

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Jornalista que se perde em devaneios sobre a vida e cultura pop

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