Meus Álbuns Favoritos de 2017

Todo ano eu tenho costume de fazer estas típicas listas do que mais gostei em alguns segmentos da cultura pop. Não é dessa vez que eu deixarei a tradição de lado. Além da típica listagem de longas e séries prediletas, dessa vez decidi abordar um pouco sobre um aspecto que não tenho tanto conhecimento: música. Por isso, o texto não vai ficar ressaltando as questões técnicas de discos e músicas citados, apenas como estes álbuns me conquistaram cada um de uma maneira diferente e o motivo para eles terem dominado tanto meu Spotify.

Kendrick Lamar — DAMN.

Kendrick Lamar conquistou tudo que podia com DAMN. e deve ser um dos álbuns mais icônicos de 2017. Eu já gostava do trabalho dele, mas não era dos maiores fãs, mesmo o acompanhando desde o disco “To Pimp a Butterfly”. Parte do que me encanta no trabalho do rapper neste disco é como ele consegue dar ênfase em assuntos importantes da sociedade em músicas que conseguem ser mais pop, já que ele aborda vários problemas atuais no Estados Unidos, além de atacar claramente o presidente americano Donald Trump. Mesmo que “HUMBLE” seja a canção mais famosa entre as 14 faixas, “DNA” é minha favorita.

Para quem é fã de elementos visuais, os videoclipes das canções de “DAMN” são outro deleite, já que a grande maioria deles tem uma excelente fotografia. Em alguns casos a simples história que ele conta já é o suficiente, como em “DNA”, que tem a participação do ator Don Cheadle.

Criolo — Espiral de Ilusão

Criolo é facilmente o artista que eu mais admiro hoje em dia. Ele representa muito do que acredito que seja o ideal pelo melhor possível a todos e ele demonstra isso sempre com suas letras politizadas. Apesar dele ter chamado a atenção do público e finalmente encontrado sucesso em sua carreira com um álbum de rap, “Nó na Orelha”, “Espiral de Ilusão” é um disco de samba.

Eu não tenho o costume de ouvir samba normalmente e este é um dos motivos para eu gostar ainda mais deste álbum. É sempre bom conhecer coisas que te agrade num estilo cultural que não faça parte da sua zona de conforto. Além de isso enriquecer sua bagagem cultural, ainda lhe abre a possibilidade de conhecer outras obras de ótima qualidade.

Criolo já fazia questão de falar dos aspectos sociais nos álbuns anteriores e isso se mantém mesmo no ritmo de samba, já que ele levanta alguns pontos sociais em suas canções. Reforma da Previdência e a crise política brasileira são alguns destes temas, algo que fica evidente em “Menino Mimado”.

Mallu Magalhães — Vem

Eu gosto da Mallu Magalhães desde o álbum de estreia dela, mas “Vem” talvez seja seu disco mais linear. As letras claramente falam sobre aspectos culturais de locais brasileiros com faixas específicas, como “São Paulo” e “Guanabara”, além de elementos mais maduros da vida de mãe que a cantora agora possui.

Há vários elementos de samba que dão muito mais ritmo às canções da artista, que antes ficava muito mais presa a folk e mpb. Ainda assim, o que me faz gostar tanto de “Vem” é a calmaria que as faixas me passam, principalmente quando abusam da atmosfera que a música tenta transmitir, como a brisa do mar, em “Guanabara”, e as ruas de Portugal, em “Linha Verde” — minha canção predileta do disco.

Por mais que eu goste bastante do álbum, não nego que o evitei consideravelmente depois do comentário que a artista fez no programa Encontros, que claramente se configura como racismo reverso.

La La Land Soundtrack

Nunca uma trilha sonora fez parte do meu cotidiano tanto quanto a de La La Land. Eu já havia gostado das músicas antes mesmo de assistir ao filme, mas tudo ganhou mais força logo após vê-lo. Era dia acordando com ela pronta para ser ouvida na ida ao trabalho, voltando pra casa, jogando videogame, viajando, etc.

De todas as 15 faixas, apenas “Start a Fire”, do John Legend, me desagrada, já que ela é a única que não parece coerente com todo o conjunto. “Audition”, “Another Day of Sun” e “Epilogue” são minhas favoritas,principalmente por que elas simbolizam momentos que eu gosto muito do longa.

Lorde — Melodrama

Enquanto a artista neozelandesa falava sobre assuntos que soavam mais maduros no seu álbum de estreia, “Pure Heroine”, “Melodrama” é praticamente um hino millennial de 11 faixas. “Green Light” foi amor à primeira ouvida, o que me levou a ter tanto interesse pelo novo disco dela.

Ao mesmo tempo que consegue criar músicas dançantes e alegres, as letras falam sobre pontos positivos e negativos de relacionamentos que a artista já teve. “Melodrama” ainda tem uma mudança de ritmo que não soa abrupta, já que as canções com batida mais pop abrem e fecham o disco. Mas o melhor mesmo fica para as apresentações ao vivo que a Lorde fez para estas canções, seja no programa do Jimmy Fallon ou para o canal Vevo.

Paramore — After Laughter

Mesmo que “After Laughter” não seja melhor do que o álbum anterior do Paramore, ele facilmente se tornou o meu preferido. O motivo é bem simples: mais do que nunca eu consigo me ver nas letras da banda. O disco apresenta bastante a visão que a Hayley Williams tem do mundo por causa dos seus problemas mentais, como a depressão.

Eu sofro de ansiedade e isso tem sido uma constante no meu cotidiano já faz alguns anos, então ao me ver com problemas semelhantes ao que ela canta em várias dessas canções fizeram com que eu me sentisse muito melhor, até porque o ritmo das músicas não é pra baixo, mesmo que haja uma clara tristeza nas letras.

“Hard Times” expressa com clareza os típicos dias que até mesmo levantar da cama torna-se uma tarefa complexa, por mais simples que seja; “Fake Happy” me faz lembrar de várias situações que eu estava extremamente desconfortável com algo que não tinha haver com o que acontecia ao meu redor, porém tentava fingir que estava tudo bem para não dar algum sinal de fraqueza; “Rose-Colored Boy” resume meus momentos de desanimo que minha namorada incrivelmente tenta me colocar pra cima ou fazer com que me sinta melhor.

De todos estes álbuns, After Laughter é o que mais faz parte de quem eu sou atualmente.

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Jornalista que se perde em devaneios sobre a vida e cultura pop

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