“A Ghost Story” ecoa o silencioso vazio existencial

Se você acompanha muitos canais que falam sobre cinema, talvez tenha visto algo sobre A Ghost Story. Caso contrário, só teria conhecimento dele por algum texto perdido pela Internet ou quando o longa fosse escolhido como um dos concorrentes de Melhor Roteiro Original do Oscar 2018, afinal a chance dele ir às telonas brasileiras é minúscula.

O filme conta a história de um homem que morre e fica perambulando como um fantasma pela sua antiga casa e acompanhando a vida da sua ex-esposa. Uma premissa extremamente simples que fica tocante a cada cena que intensifica a emoção que há na narrativa do diretor e roteirista David Lowery.

Como o trailer acima mostra, o filme não usa o agora tradicional tamanho 16:9 da widescreen, mas um diminuto 4:3, assim criando uma sensação de enclausuramento que uma forma de caixa possui. Além desse aspecto visual, o o lençol branco para recriar um fantasma é um dos recursos mais brilhantes para a simbologia que é construída pela trama, principalmente pela ótima atuação do Casey Affleck, ao lado da sempre incrível Rooney Mara.

Por mais que eu ame ir ao cinema, ter visto A Ghost Story em casa trouxe um benefício enorme: poder usar fones de ouvido. A trilha sonora é uma das mais bonitas dos últimos anos, tanto pela simplicidade das canções que acompanham o protagonista quanto pela inserção da belíssima I Get Overwhelmed, da banda Dark Rooms.

A narrativa de David Lowery é bastante lenta e sútil durante os 92 minutos do longa, o que pode ser um tanto quanto difícil de aproveitar realmente o que ele propõe se você estiver sonolento. Isso pode gerar inquietação e até mesmo fazer com que a pessoa desista do filme na metade dele, assim perdendo o brilhante diálogo interpretado pelo ator Will Oldham, que direciona de maneira suave qual a proposta do diretor ao ter criado esta história.

Algumas cenas se prolongam por alguns minutos para intensificar o cotidiano e a emoção dos personagens, assim dando mais humanidade aos protagonistas. A câmera acompanha lentamente o fantasma caminhando por um gramado, observando a viúva assimilando o luto e remontando uma história que não é contada de forma linear ao encaixar momentos de conexão do casal no passado com os acontecimento do presente. Praticamente uma aula de fotografia.

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O lindo pôster de A Ghost Story

Ao fazer com que o telespectador acompanhe a travessia de um homem que não estava pronto para morrer e se tornar um fantasma, o roteiro ecoa indagações sobre o significado da vida, o vazio existencial e qual é o legado da humanidade. Há um grande momento do filme que vai falar sobre tudo isso ao telespectador, mas não é sendo racional e científico que A Ghost Story te conquista, são as emoções que ele traz na catarse da negação da realidade, no envolvimento humano e nas reflexões sobre a vida que tornam o longa uma jornada emocionante e introspectiva.

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